Otherside: tudo sobre o metaverso mais ambicioso da Web3

Otherside metaverse

O Otherside é o metaverso da Yuga Labs, a empresa por trás do Bored Ape Yacht Club. O mundo principal, o Koda Nexus, está aberto para qualquer pessoa desde novembro de 2025, sem precisar de NFT, e em setembro de 2026 a Yuga apresentou a primeira versão da economia de recursos, com teste em 600 terras da própria empresa até o fim do ano. É isso que torna o projeto interessante: não mais uma promessa de metaverso, e sim uma empresa que, cinco anos depois, começa a transformar a promessa em economia de verdade. A pergunta que o texto persegue é uma só: sai daqui uma plataforma de jogos com economia própria ou mais um projeto de metaverso? A palavra "metaverso" já foi tão desgastada que pouca gente entende o que ela significa, então vamos por partes: o conceito, a origem do projeto, o que a Yuga constrói em volta dele e para quem.

O conceito do metaverso

A palavra "metaverso" apareceu ainda em 1992, no romance Snow Crash, de Neal Stephenson. Quando o assunto é metaverso, muita gente lembra do filme Matrix e de Jogador Nº 1 (Ready Player One). Se compararmos com o hype de 2021–2022, hoje se fala bem menos sobre metaversos. Um dos poucos que ainda analisa esse tema de forma consistente é Matthew Ball. Ele listou alguns princípios de um mundo virtual que poderia ser considerado um metaverso:

  • O metaverso funciona o tempo todo.
  • Em tempo real (online).
  • Número ilimitado de usuários no mesmo espaço.
  • Precisa ter ligação com o mundo real.
  • Compatibilidade de itens entre mundos.
  • Precisa ter uma economia funcionando.
  • Qualquer pessoa pode criar conteúdo e experiências únicas dentro do metaverso.

Parece abstrato, mas fica mais fácil de entender com exemplos. Na prática, a palavra "metaverso" costuma ser usada em dois sentidos diferentes:

1) Metaverso como plataforma

Pense no Google, no Telegram ou no WeChat. Agora tente aplicar esses princípios a eles: muita coisa encaixa. Então qual é a diferença?

Quando as pessoas falam "metaverso", normalmente estão imaginando uma plataforma social em 3D.

Se a gente olhar para o Web2, quem mais chegou perto desse formato foram Roblox e Fortnite. O Roblox é uma plataforma gigantesca, com centenas de milhões de usuários. Pelo tamanho, ele parece mais uma rede social do que um "jogo comum".

O Roblox lembra muito o YouTube. Os jogadores criam fases, skins, itens virtuais e ganham dinheiro vendendo isso. Os mundos são muito variados em gênero, qualidade gráfica e mecânicas, também porque a plataforma já existe há mais de 20 anos. Outra coisa interessante é que o Roblox virou referência para a equipe do Otherside: "o Otherside quer ser um Roblox para adultos".

Jogos realistas no Roblox

O Fortnite é um pouco diferente. No começo, era só um battle royale: 100 jogadores, um mapa que vai fechando, até sobrar apenas 1. Nos últimos anos, o Fortnite vem fazendo colaborações com várias franquias, de Marvel até Os Simpsons.

Além disso, o Fortnite também começou a virar plataforma. Eles pagam desenvolvedores de mundos com base nas horas/jogadores, o que deixa o modelo até mais parecido com YouTube do que com Roblox. E mesmo que hoje a variedade de experiências ainda seja menor, o CEO da Epic Games está obcecado com a ideia de metaverso há pelo menos uns 8 anos. Então é bem provável que o Fortnite vire um ótimo exemplo de plataforma de jogos dentro de alguns anos.

2) Metaverso como a próxima etapa da internet

Agora imagine essas plataformas conectadas em uma única rede. Um "segundo nível" da internet.

A forma como a gente interage com a internet muda o tempo todo: entretenimento, pagamentos, comunicação, etc. Só nos últimos 10 anos, o comportamento já mudou muito. Talvez o metaverso abra um tipo de experiência completamente novo. E é exatamente isso que a Yuga diz estar construindo com o Otherside.

A origem do projeto Otherside

O Otherside é o metaverso mais bem financiado da Web3: mais dinheiro, parcerias mais fortes e, por isso mesmo, mais tempo para construir.

Tudo começou no bull market de 2021, quando Play2Earn e NFTs estavam no auge. A Yuga Labs, empresa por trás do Otherside, foi um dos maiores motores desse ciclo com o Bored Ape Yacht Club.

Como a coleção Bored Ape Yacht Club foi promovida por dezenas de celebridades nos EUA, o preço desses NFTs subiu dezenas de vezes no mercado secundário. Mas a maior parte do dinheiro da Yuga não veio dos NFTs dos macacos. Em dois meses de 2022 a empresa captou perto de US$ 800 milhões: US$ 450 milhões de venture capital em março, em rodada liderada pela a16z, e cerca de US$ 320 milhões na venda das terras Otherdeed em abril. Tudo isso basicamente na promessa de construir um metaverso. Como isso aconteceu?

Em 2021, Mark Zuckerberg criou um enorme hype em torno do metaverso. Ele renomeou o Facebook para Meta e começou a construir o próprio metaverso. Desde 2021, a divisão Reality Labs acumulou mais de US$ 83 bilhões em prejuízos operacionais. Em março de 2026 a Meta anunciou o fim da versão VR do Horizon Worlds, voltou atrás um dia depois sob pressão dos usuários e, a partir de 15 de junho, parou mesmo assim a criação de mundos em VR e levou a plataforma para o celular. O foco da empresa agora é inteligência artificial e óculos inteligentes. No fim, o "metaverso" da Meta acabou ficando marcado por esse meme: 

Meme da Meta

Hoje em dia, pouca gente lembra do que é um metaverso. Para muitos, virou só uma palavra da moda ou uma obsessão das Big Techs.

Mas no auge da euforia, apareceram dezenas de empresas dizendo que estavam construindo seus próprios metaversos. Algumas conseguiram levantar muito dinheiro, especialmente na Web3.

Mesmo assim, o Otherside continua se desenvolvendo, só que bem devagar. Em novembro de 2025 ele foi lançado em modo "sempre ativo", superando concorrentes diretos na Web3 (Sandbox e Decentraland). Em abril de 2026, a Yuga trocou de comando: Greg Solano (Garga) saiu da operação e virou chairman, e Michael Figge assumiu como CEO com três prioridades declaradas: BAYC, Otherside e APE. Em 9 de setembro veio o passo que faltava desde 2022: a primeira versão da economia de recursos, com teste em 600 terras da própria Yuga em 4 dos 29 ambientes, 74 recursos como tokens separados e o dono da terra definindo quem coleta nela e com qual taxa. As terras dos holders ainda ficam de fora, e a data do teste não foi anunciada; a expectativa está no ApeFest, em 17 de outubro. Enquanto isso, quem faz os daily tasks são basicamente os verdadeiros believers: dentro do metaverso tem pouca gente, e a maior parte são criptanos.

Gameplay do Otherside metaverse

Expansão do IP ao redor do Otherside

Nos últimos anos, a Yuga Labs deixou cada vez mais claro que o foco principal da empresa é o Otherside. Diferente da percepção comum, série animada, Clubhouse e outras iniciativas não competem com o metaverso, elas funcionam como extensões do mesmo núcleo estratégico.

Um dos exemplos recentes é o desenvolvimento de uma série animada baseada no universo BAYC. O projeto está em estágio early story development, com previsão de 6–8 episódios de cerca de 28 minutos e possível lançamento em uma grande plataforma de streaming. Dentro da lógica atual da Yuga, esse tipo de conteúdo não substitui o Otherside — ele ajuda a expandir a narrativa e atrair público para o ecossistema principal.

Yuga: “Uma série animada do BAYC já está em desenvolvimento.”

Críticos: “Vocês deveriam focar apenas em gaming!”

Yuga: “Estamos priorizando o desenvolvimento do Otherside e passando por uma reestruturação.”

Críticos: “Não deveriam ter feito o Otherside. Foquem só no clube.”

Yuga: “O BAYC Clubhouse também já está em desenvolvimento.”

Esse ciclo de críticas mostra como parte do mercado ainda tenta encaixar a Yuga em uma única direção. Na prática, porém, a trajetória aponta para um modelo em que o Otherside é o eixo central, enquanto mídia, eventos e produtos IRL funcionam como camadas de suporte ao IP.

Se observarmos a evolução desde o início — de um site simples até ApeFest, experiências dentro do Otherside ativo 24/7 e novos formatos de mídia — fica mais evidente que a empresa não está diversificando por falta de foco, mas ampliando o alcance cultural do ecossistema que converge para o próprio Otherside.

Dentro dessa estrutura, a lógica da Yuga fica mais clara: a empresa não está construindo apenas um jogo isolado, mas um ecossistema econômico completo. A série animada funciona como camada de narrativa e aquisição de público, o Otherside atua como a principal plataforma onde essa audiência interage, e a ApeChain junto com o token $APE devem funcionar como o combustível dessa economia, conectando mídia, experiências e produtos dentro de um mesmo ciclo. Com o anúncio de setembro, isso deixou de ser tese: na economia de recursos, o APE é a única forma de entrar e sair.

Objetivo e público-alvo do Otherside

O Otherside mira um público mais adulto. Primeiro porque ele não vai ser “gratuito” para criadores de conteúdo: para criar seu próprio mundo, o desenvolvedor precisa ter terra virtual em formato de NFT. Segundo porque o processo de criação é mais complexo: exige conhecimento de modelagem 3D e programação para criar mundos na Unreal Engine.

É um erro achar que o Otherside vai ser um jogo Web3. Não é isso. Ele parece muito mais um Web2,5. Pelo que já foi mostrado, dá pra ver que o time quer criar uma experiência realmente fluida com blockchain, sem fricção.

Na prática, isso significa que o objetivo não é atrair degens de Web3. Eles querem chegar no público normal: jogadores comuns.

A equipe do Otherside posiciona o projeto como metaverso. Mas é mais fácil pensar nele como uma plataforma de jogos, antes de qualquer coisa. "Metaverso" é um rótulo de marketing conveniente para levantar dinheiro, e a própria Yuga é a prova: centenas de milhões captados em 2022 antes de existir jogo.

Conclusão

Enquanto a Meta perde dezenas de bilhões e a maioria dos projetos de metaverso na Web3 está congelada ou abandonada, o Otherside é um dos poucos que segue construindo. Com a troca de comando e a economia de recursos finalmente apresentada, o ritmo mudou, mas o resultado concreto depende do teste nas terras da Yuga e do que acontece depois com as terras dos holders. Por enquanto, dá pra entrar no Nexus, fazer os daily tasks e formar a própria opinião na prática.

FAQ
O Otherside é gratuito?
Para jogar e explorar, sim, é gratuito. Para criar o próprio mundo dentro da plataforma é preciso ter um Otherdeed (NFT de terreno virtual). Ou seja: entrar e experimentar não custa nada, mas o acesso de criador exige investimento. É uma diferença importante em relação a plataformas como Roblox, onde qualquer pessoa cria conteúdo de graça.
Como entrar no Otherside?
Pelo site otherside.xyz: conectar a carteira, escolher o Nexus e clicar em "Enter". Dá pra jogar direto no navegador (só Chrome) ou baixar o cliente. Não precisa ter Otherdeed nem Koda para entrar e explorar; os NFTs do ecossistema abrem avatar próprio e áreas fechadas, mas o acesso básico é livre.