O que é o metaverso Otherside

Otherside metaverse

O Otherside é frequentemente chamado de metaverso na Web3. Mas o que as pessoas realmente querem dizer quando falam “metaverso”? Vamos tentar entender.

O conceito do metaverso

A palavra “metaverso” apareceu ainda em 1992 — no romance Snow Crash (“Avalanche”). Quando o assunto é metaverso, muita gente lembra do filme Matrix e de Jogador Nº 1 (Ready Player One). Se compararmos com o hype de 2021–2022, hoje se fala bem menos sobre metaversos. Um dos poucos que ainda analisa esse tema de forma consistente é Matthew Ball.

Ele listou alguns princípios de um mundo virtual que poderia ser considerado um metaverso:

  • O metaverso funciona o tempo todo.
  • Em tempo real (online).
  • Número ilimitado de usuários no mesmo espaço.
  • Precisa ter ligação com o mundo real.
  • Compatibilidade de itens entre mundos.
  • Precisa ter uma economia funcionando.
  • Qualquer pessoa pode criar conteúdo e experiências únicas dentro do metaverso.

Confuso? É difícil dizer que alguém entende isso por completo. Na prática, a palavra “metaverso” costuma ser usada em dois sentidos diferentes:

1) Metaverso como plataforma

Pense no Google, no Telegram ou no WeChat. Agora tente aplicar esses princípios a eles: muita coisa encaixa. Então qual é a diferença?

Quando as pessoas falam “metaverso”, normalmente estão imaginando uma plataforma social em 3D.

Se a gente olhar para o Web2, quem mais chegou perto desse formato foram Roblox e Fortnite. O Roblox é uma plataforma gigantesca, com centenas de milhões de usuários. Pelo tamanho, ele parece mais uma rede social do que um “jogo comum”.

O Roblox lembra muito o YouTube. Os jogadores criam fases, skins, itens virtuais e ganham dinheiro vendendo isso. Os mundos são muito variados — em gênero, qualidade gráfica e mecânicas — também porque a plataforma já existe há mais de 20 anos. Outra coisa interessante é que o Roblox virou referência para a equipe do Otherside: “o Otherside quer ser um Roblox para adultos”.

Jogos realistas no Roblox

O Fortnite é um pouco diferente. No começo, era só um battle royale: 100 jogadores, um mapa que vai fechando, até sobrar apenas 1. Nos últimos anos, o Fortnite vem fazendo colaborações com várias franquias — de Marvel até Os Simpsons.

Além disso, o Fortnite também começou a virar plataforma. Eles pagam desenvolvedores de mundos com base nas horas/jogadores, o que deixa o modelo até mais parecido com YouTube do que com Roblox. E mesmo que hoje a variedade de experiências ainda seja menor, o CEO da Epic Games está obcecado com a ideia de metaverso há pelo menos uns 8 anos. Então é bem provável que o Fortnite vire um ótimo exemplo de plataforma de jogos dentro de alguns anos.

2) Metaverso como a próxima etapa da internet

Agora imagine essas plataformas conectadas em uma única rede. Um “segundo nível” da internet.

A forma como a gente interage com a internet muda o tempo todo: entretenimento, pagamentos, comunicação, etc. Só nos últimos 10 anos, o comportamento já mudou muito. Talvez o metaverso abra um tipo de experiência completamente novo.

A origem do projeto Otherside

O Otherside pode ser considerado, com certa justiça, o metaverso mais ambicioso dentro da Web3. Eles têm mais financiamento, parcerias mais fortes — mas também demoram mais para construir.

Tudo começou no bull market de 2021. Naquela época, Play2Earn e NFTs estavam no auge. Aliás, os NFTs ficaram populares justamente por causa da Yuga Labs, que é a empresa por trás do desenvolvimento do Otherside.

Como a coleção Bored Ape Yacht Club foi promovida por dezenas de celebridades nos EUA, o preço desses NFTs subiu dezenas de vezes no mercado secundário. Mas a maior parte do dinheiro da Yuga não veio dos NFTs dos macacos. Metade do orçamento foi levantada via investimento de venture capital. A outra metade veio da venda de NFTs ligados ao metaverso. No total, a Yuga levantou algo perto de ~US$ 1 bilhão basicamente na promessa de construir um metaverso. Como isso aconteceu?

Em 2021, Mark Zuckerberg criou um enorme hype em torno do metaverso. Ele renomeou o Facebook para Meta, começou a construir o próprio metaverso, gastou 45 bilhões de dólares e… no fim, a divisão mudou o foco para IA — e o “metaverso” acabou ficando marcado por esse meme:

Meme da Meta

Hoje em dia, pouca gente lembra do que é um metaverso. Para muitos, virou só uma palavra da moda ou uma obsessão das Big Techs.

Mas no auge da euforia, apareceram dezenas de empresas dizendo que estavam construindo seus próprios metaversos. Algumas conseguiram levantar muito dinheiro — especialmente na Web3.

Mesmo assim, o Otherside continua se desenvolvendo, só que bem devagar. Em 2025 ele foi lançado em modo “sempre ativo”, superando concorrentes diretos no Web3 (Sandbox e Decentraland). Em 2026 o produto segue sendo ajustado, mas num ritmo bem lento. Hoje, quem faz os daily tasks são basicamente os verdadeiros believers. Dentro do metaverso, tem pouca gente — e a maior parte são criptanos.

Objetivo e público-alvo do Otherside

O Otherside mira um público mais adulto. Primeiro porque ele não vai ser “gratuito” para criadores de conteúdo: para criar seu próprio mundo, o desenvolvedor precisa ter terra virtual em formato de NFT. Segundo porque o processo de criação é mais complexo — exige conhecimento de modelagem 3D e programação para criar mundos na Unreal Engine.

É um erro achar que o Otherside vai ser um jogo Web3. Não é isso. Ele parece muito mais um Web2,5. Pelo que já foi mostrado, dá pra ver que o time quer criar uma experiência realmente fluida com blockchain — sem fricção.

Na prática, isso significa que o objetivo não é atrair degens de Web3. Eles querem chegar no público normal: jogadores comuns.

A equipe do Otherside posiciona o projeto como metaverso. Mas é mais fácil pensar nele como uma plataforma de jogos, antes de qualquer coisa. “Metaverso” é um rótulo de marketing conveniente para levantar dinheiro.

Conclusão

Dá pra discutir metaverso por muito tempo, mas é melhor entrar no Nexus (o ponto de entrada do Otherside) e formar sua própria opinião na prática.