Reflexões sobre o mercado cripto e meu plano de verão
O clima no mercado está pesado. Pela primeira vez tive a sensação de que todos os criptoativos podem ir a zero. Muita gente entrou faz uns dois anos, passou um tempão fazendo preço médio, e a maioria está com altcoins na carteira em queda de 80% a 90%. Comigo é a mesma coisa, e seis anos operando não me tiraram desse buraco. Por isso resolvi desabafar.
A lição do verão que demorei a entender
Faz alguns anos me repetiam a mesma coisa: junte liquidez até o verão, venda parte, porque é no verão que costumam vir as correções (falo do verão do hemisfério norte, de junho a agosto, quando o dinheiro grande sai de férias). Em 2021 e 2022 deixei passar. Em 2023 e 2024 agi no verão igual ao que fazia no outono ou na primavera. Só caiu a ficha em 2025. A correção de verão é uma chance de comprar mais barato. Não é pânico nem "até onde mais isso vai cair". A pergunta é uma só: vai ser igual em 2026? O começo de junho já confirma a tradição.
O mercado agora: dominância e altseason
O quadro agora é o seguinte. O Bitcoin cai, e a dominância cai junto. Parte das altcoins mais fortes segura até um pouco melhor que o próprio Bitcoin. Nos últimos anos vi isso umas duas vezes. Na primeira pensei: é agora, chegou a vez das altcoins. No fim, não aconteceu nada. O índice de altseason está de novo na mesma linha, o nível não foi rompido, e não temos altseason há cerca de 250 dias. Então, se as altcoins vão subir agora ou não, eu não sei.
Mas um milagre é possível. O cripto ainda é um mercado jovem, mesmo com os institucionais. E eles estão mesmo só no Bitcoin e no Ethereum. No XRP a Justiça reconheceu que, no varejo, não é um valor mobiliário, mas institucional de verdade nas altcoins ainda não existe. Ou seja, ainda sobra espaço para manobra.
FOMO: o que o HYPE me ensinou
O sentimento mais difícil no cripto é o FOMO. Enquanto não sentir na pele, não dá para explicar em palavras. Comigo foi assim com o HYPE. Comecei a olhar para ele a 30 dólares e falava para os amigos: pego lá na faixa dos 20. Achava e ainda acho que é um projeto para décadas, um dos principais do cripto. A 30 eu não comprei. O HYPE disparou para 75. O FOMO me consome? Consome. Eu cheguei a calcular o tamanho da posição que poderia ter montado: aquele valor teria se multiplicado por 2,5 em um mês. Mesmo que fossem 10% a 15% da carteira, a ideia de "por que não dei o passo" não sai da minha cabeça até hoje.
E se a alta vier
Agora imagine a alta de todo o mercado de altcoins, em média de 5 a 10 vezes, em alguns casos 15. A ganância vai ser absurda. Mais de um bilhão de pessoas no planeta já encostou em cripto em algum momento. Quem se queimou uma vez e esqueceu vai querer voltar quando vir uma alta dessas. E vai ficar mais fácil se justificar para entrar: antes o mercado era jovem, agora o cripto é apoiado até por presidentes de grandes países. Em 2021 entravam na ganância pura e na promessa de que o cripto é o futuro. Hoje há muito mais catalisadores para atrair atenção e dinheiro.
Dá medo só de imaginar a capitalização que esse fluxo pode gerar. Para cima, não para baixo. E o risco que eu vejo não é a queda. É a gente simplesmente não aguentar até lá. Cada novo dólar que entra no cripto hoje entra quase por desespero: não tem volta, o dinheiro segue queimando. Para mim é assim. Na minha situação de vida nada muda por enquanto, então isso não me atinge diretamente. Mas a cada mês dá mais medo, porque parece que as altcoins vão sangrar sem fim.
Meu plano para o verão
O plano para o verão é simples: acumular Ethereum para reforçar o núcleo da carteira. Já venho pegando um pouco agora. Mais para baixo vou comprando mais: a 1500, a 1400, a 1300. Não descarto as altcoins, mas não tenho estômago para fazer preço médio nelas. Vou pegando um pouco de APE também (expliquei o porquê aqui). É o meu caminho hoje. Erro ou não, o tempo dirá.
Na média dos últimos anos, o verão foi negativo. O conselho é banal: dar um tempo do cripto, olhar menos a carteira, não adianta nada. Mas vai que esse verão sai verde. Eu, ainda assim, me preparo para a chance de comprar mais embaixo os ativos que me interessam. Energia e vontade de fazer as coisas não me faltam, e não é pelo lucro. Daqui a alguns anos vai ser interessante sentar com essas mesmas pessoas, repassar como a gente pensava e onde errou, e tirar disso o aprendizado. A gente chega lá, é só aguentar.
